Literatura

Chamada aberta até o dia 31/01 de 2021

Temática/tema: As diferentes faces de Lúcifer – O Diabo e o diabólico nas Artes

Organizadora:

Ayanne Larissa Almeida de Souza (Doutora/UEPB)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/5437867936739184

resumo:

O Diabo sempre foi um personagem polêmico. Se podemos julgar até que ponto ele figura na literatura de todas as épocas desde a era cristã, sempre foi o personagem que mais provocou a fascinação dos leitores e escritores. No Antigo Testamento, não havia ainda um personagem muito ligeiramente esboçado com o qual os cristãos identificariam o Diabo. Segundo Giovanni Papini (1955), o espírito do mal que despencara do céu, como Lúcifer (aquele que leva a luz) para disputar com Deus é apenas a sugestão de um personagem que somente a imaginação cristã da Idade Média poderia criar completamente. Para Carlos Alberto Figueiredo Nogueira (2002), na Idade Média, as crônicas dos monges e as lendas dos santos estão cheias dessa figura cujas denominações modificam-se, sendo o Demônio citado muito mais nos registros canônicos do que o próprio Deus. Repentinamente, de acordo com Robert Muchembled (2002), o Diabo tornara-se um membro muito ativo da sociedade, invadindo o imaginário popular com tal força que serviu melhor aos desígnios da Igreja do que a imagem de Jesus Cristo. Afinal, sem o poder desmesurado de Satã, a pedagogia do medo instaurada pela Igreja não poderia ter tido êxito.

Na Literatura, a personificação diabólica mais famosa certamente é Mefistófeles, personagem presente nas muitas versões do mito fáustico. Figura medieval, considerado a encarnação do Mal, aliado de Lúcifer para capturar almas inocentes, Mefistófeles é um dos demônios mais cruéis e em muitas culturas também se toma como sinónimo do próprio Diabo. O Diabo é caracterizado como um personagem em muitas representações musicais, desde a Idade Média até os tempos modernos. Podemos vê-lo em vários oratórios barrocos de compositores como Carissimi e Alessandro Scarlatti. A música de violino, considerada virtuose, muitas vezes era associada a Satã. A sonata O Trinado do Diabo, de Tartini, e os 24 Caprichos para Violino, denominados de “o riso do Diabo”, de Paganini, são exemplos. Não esqueçamos que o próprio Nicolo Paganini foi apelidado de “o Maldito” por conta de um suposto pacto feito com o Diabo para obter o dom de tocar violino. No que diz respeito ao cinema e à televisão, o Diabo é frequentemente representado como um ser humano comum e, às vezes, apenas sua voz é ouvida. Satanás, como personificação do mal, oferece muitas oportunidades narrativas. Lutas com o Diabo têm sido usadas para simbolizar as fraquezas e tentações humanas. Nos filmes do gênero terror e suspense, o Demônio fornece um inimigo praticamente Todo-Poderoso.

Convidamos, portanto, pesquisadores de todas as áreas das ciências humanas que possuam trabalhos que versem sobre a imagem e o mito do Diabo em todos os âmbitos das artes, bem como trabalhos que prezem as investigações estéticas, históricas, sociológicas, antropológicas, filosóficas e teológicas dessa figura, esse espírito ou poder que é a manifestação do Mal e que, geralmente, refere-se ao príncipe dos espíritos malignos e, como tal, assume várias formas nas religiões e no imaginário da sociedade ocidental.

 

Referências:

MUCHEMBLEB, Robert. Historia del Diablo – Siglo XII-XX. Traducción de Federico Villegas. México: FCE, 2002.

los Alberto F. O Diabo no Imaginário cristão. 2.ed. São Paulo: EDUSC, 2002.

PAPINI, Giovanni. The Devil. Michigan, US: Dutton, 1955.

Previsão para publicação: 90 dias após encerrar a chamada.

Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail bordogrena@editorabordogrena.com contendo no campo "assunto" o tema para o qual o estudo será submetido.

Consulte as normas de publicação.

Chamada aberta até o dia 31/03/2021

Temática/tema: Literatura e Semiologia: diálogos, rupturas e crítica cultural

Organizadora:

Elisabeth Silva de Almeida Amorim (Doutoranda em Crítica Cultural/UNEB)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/4701087037715190

resumo:

O que pode o literário? O ensino da literatura agrega saberes e diálogos com outros campos de conhecimento. Assim, para pensar no ensino da literatura, principalmente na educação básica, é necessário associá-lo a outros signos para promover apropriação do texto pelo leitor-autor. Derrida defende que a parceria da literatura com outros saberes culturais, artísticos e históricos é fundamental para sobrevivência dessa estranha instituição chamada literatura, uma vez que a essência da literatura é não ter essência alguma e o poder concentra-se no despoder. O não dito ou rejeitável por outras áreas, recebe o abraço da literatura e torna-se dizível, seja articulando saberes, representando o real ou multiplicando os sentidos. Unir a literatura à semiologia faz parte da teoria da intersemiose de Barthes, pois a semiosis é a força de liberdade da literatura, capaz de multiplicar os significantes, dialogar com outras áreas e desconstruir os significados transcendentais. Desse modo, o objetivo dessa proposta é acolher pesquisas cujo objeto é a literatura e outros signos para uma reflexão crítica acerca da liberdade de transgredir da literatura para abrir horizontes. Teóricos como Michel Foucault, Jacques Derrida, Ferdinand Saussure, Gilles Deleuze, Roland Barthes, Giorgio Agamben serão muito bem-vindos na discussão proposta. Desde o final do século XIX, as contribuições de Saussure provocaram uma virada linguística, já que a linguagem, segundo ele, estava presa a uma tradição metafísica ocidental, e o signo é a chave fundamental capaz de livrá-la da prisão. E por que não se estender para o linguístico-literário? Afinal, a literatura bebe na fonte de Saussure e abre o leque para as desconstruções do literário.

Palavras-chave: literatura; semiologia; desconstrução.

Referências:

AGAMBEN, Giorgio. A barreira e a dobra. In: AGAMBEN, Giorgio. Estâncias: a palavra e o fantasma na cultura ocidental. Trad. Selvino José Assmann. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2007.

BARTHES, Roland. Aula. aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França. Pronunciada em janeiro de 1997, Trad. Leyla Perrone _Moisés. São Paulo: cultrix, 2001.

DERRIDA, Jacques. Uma estranha instituição chamada literatura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2014. FOUCAULT, Michel. O que é um autor In: FOUCAULT, Michel. que é um autor? Trad. Antonio Fernando Cascais e Edmundo Cordeiro Lisboa: Veja, 1992, p. 29-87.

SANTOS, Osmar Moreira. Platô de crítica cultural na Bahia: por um roteiro de trabalho científico transgressor. In: 40 anos do GELNE (livro de referência sobre programas de pós-graduação em Letras no Nordeste) no prelo, p. 1-21.

SEIDEL, Roberto Henrique. As materialidades do texto na contemporaneidade: deslendo os conceitos de autor, leitor e obra. Texto resultado de comunicação oral no II Simpósio de Desleituras em Série. Jacobina: UNEB, 2017.

Previsão para publicação: 90 dias após encerrar a chamada.

Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail bordogrena@editorabordogrena.com contendo no campo "assunto" o tema para o qual o estudo será submetido.

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Chamada aberta até o dia 20/12 de 2020

Temática/tema: O esquadro e a pluma: João Cabral de Melo Neto - 100 anos

Organizador:

Sandro Adriano da Silva (Professor/UNESPAR)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2018674592523037

resumo:

No ensaio “A máquina do poema”, Benedito Nunes esquadrinha sobre a poesia de João Cabral de Melo Neto: “A máquina do poeta é, afinal, a máquina do mundo”. (Nunes, 2009, p. 262, grifos do autor). Só filiado à Geração de 45 por um critério cronológico, João Cabral, “um autor-ilha” (Secchin, 2018, p. 251) afasta-se esteticamente de grupos, por ter uma dicção lírica autônoma na derivação da poesia brasileira moderna e nela manifestar sua consciência rigorosa com a arquitetônica do poema. Sua concepção de poesia é a de uma “construção de estruturas formais e lúcidas, lúcidos objetos de linguagem” (Neto, 1997, p. 135). Daí a depuração, o cálculo racional, numa linguagem concisa, elíptica, assumindo que, para si, “a criação não é um dom, dom que por sua gratuidade elimina qualquer inquietação sobre sua validade, e qualquer curiosidade sobre suas origens e suas formas de dar-se.” (Cabral, 1982, p. v.). Arquitetura antilírica avessa ao confessionalismo, sem, no entanto, escamotear “as várias peças da realidade social e humana”. (Nunes, 2009, p. 263).  Esta chamada, como uma planta baixa, acolhe reflexões e esquadros em torno da obra cabralina, como tributo ao poeta em seu centenário de nascimento.

Referências:

MELO NETO, João Cabral de. Poesia crítica: antologia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982.______. Prosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

NUNES, Benedito. A máquina do poema. In: ______. O dorso do tigre. 3.ed. São Paulo: Editora 34, 2009, p. 257-268.

SECCHIN, Antonio Carlos. A suíte cabralina. In: ______. Percursos da poesia brasileira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018, p. 249-306.

Previsão para publicação: 90 dias após encerrar a chamada.

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Chamada aberta até o dia 28/02 de 2021

Temática/tema: Do silêncio à insurgência: percursos da literatura Afro-Brasileira

Organizadores:

Prof.ª Dr.ª Wilma dos Santos Coqueiro (Docente/UNESPAR)

Lattes:  http://lattes.cnpq.br/0153461918591041

Ana Maria Soares Zukoski (Doutoranda/UEM)

Lattes:  http://lattes.cnpq.br/6633946411492536

André Eduardo Tardivo (Mestrando/UEM)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/7433844444876066

resumo:

No que tange à produção literária produzida por autores/as negros/as ou com temáticas que abordem questões relacionadas à raça, são muitas as controvérsias entre os estudiosos quanto à denominação dessa vertente da Literatura Brasileira. Eduardo Assis Duarte (2008) conceitua a Literatura Afro-Brasileira ou Literatura Negro-Brasileira a partir de cinco critérios. São eles: autoria, tema, perspectiva, ponto de vista e questões de linguagem. O autor ainda afirma que essa vertente literária passa por um momento rico, não se restringindo em grandes produções, mas se ampliando em debates e estudos nas academias. Contudo, apesar do grande valor estético-literário e das temáticas relevantes dessas produções, ainda se observa uma grande disparidade em relação às produções de autoria negra, as quais geralmente são publicadas por editoras menores e sem grande visibilidade no mercado editorial e espaço nas grandes livrarias. Tendo isso em vista, com o objetivo de contribuir para uma maior visibilidade de autores/as negros/as, essa chamada abre-se para contribuições de pesquisadores/as, a partir de discussões variadas, em diferentes áreas do conhecimento, com análises e avaliações críticas, acerca da escrita literária de autoria brasileira negra.

Referências:

CUTI. Literatura negro-brasileira. São Paulo: Selo Negro Edições, 2010.

DUARTE, Eduardo de Assis. Literatura afro-brasileira: um conceito em construção. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, nº. 31. Brasília, janeiro-junho de 2008, pp. 11-23.

IANNI, Octavio. Literatura e consciência. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros. Edição Comemorativa do Centenário da Abolição da Escravatura, nº. 28. São Paulo: USP, 1988.

SANTOS, Célia Regina & WIELEWICKI, Vera Helena Gomes. “Literatura de autoria de minorias étnicas e sexuais”. In: BONNICI, Thomas & ZOLIN, Lúcia Osana (orgs.). Teoria Literária: Abordagens históricas e tendências contemporâneas. 3. ed. Maringá: Eduem, 2009. p. 189-199.

Previsão para publicação: 90 dias após encerrar a chamada.

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Chamada aberta até o dia 28/02 de 2021

Temática/tema: Crianças em contexto de guerra na literatura

Organizadora:

Raquel Belisario da Silva (Mestra e doutoranda em Teoria da Literatura /PUC-RS).

Lattes:  http://lattes.cnpq.br/0442245051456235

resumo:

Área: Ciências Humanas – Letras – Literatura

Público: pesquisadores da área de Literatura interessados nas temáticas de guerras e de infância, incluindo-se aí crianças como personagens (protagonistas ou não) ou narradoras, seja de ficções ou de testemunho. Características textuais e fundamentação teórica: os textos podem tomar por base uma única obra ou um conjunto de obras, cujo estudo dever ser realizado por meio de aparato teórico de fundamentação literária de qualquer corrente: comparatista (incluso, a comparação com outras artes), escritas de si, escritas de testemunho, narrativa epistolar, histórica, psicológica, sociológica, filosófica, sociocultural. Segue abaixo resumo, palavras-chave e minibiografia da autora.

CRIANÇAS EM CONTEXTO DE GUERRA NA LITERATURA

Meninos que brincam de guerra, como os íntegros, de Ferenc Mólnar, e os selvagens, de William Golding. O medo sob conflitos verdadeiros: crianças soldados em vários países da África, órfãs da Chechênia, migrantes da Síria, faveladas do Brasil etc. Diários que testemunham os tempos sombrios e violentos, como o de Anne Frank ou os coletados por Zlata Filipovic e Melanie Challenger. O objetivo deste livro é reunir contribuições que tratem acerca da infância em contextos de guerra, retratados em narrativas literárias, seja de testemunho ou de ficção.

Palavras-chave: Infância e Literatura; Guerra e Literatura; Testemunho; Ficção.

Raquel Belisario da Silva é mestra em Teoria da Literatura pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS e doutoranda pelo mesmo programa. Como bolsista CNPq, estuda literatura contemporânea do Leste Europeu, com foco no tema da ficcionalização da Guerra Fria. É coorganizadora do livro Inventário da Infância: o universo não adulto na narrativa (no prelo – a sair pela Edipucrs), do qual também participa como autora de um capítulo. Publicou ainda “A insustentável leveza da narrativa: palavras de 'infante'?”, nos Anais do I Congresso Internacional Walter Benjamin, de 2018.

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Temática/tema: Travessias intermidiáticas da literatura: novas poéticas e espacialidades

Organizador:

Francisco Romário Nunes  (Professor - UESPI e Doutorando em Literatura e Cultura - UFBA)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/9415861529521312

Resumo:

A presente proposta tem como objetivo reunir trabalhos de variados campos do saber que investiguem o fenômeno da intermidialidade em relação com a literatura, compreendendo as travessias que as narrativas promovem na produção artística. O público alvo que esta proposta se destina é de estudantes de letras e áreas afins, além de pesquisadores dos estudos intermídia e interartes. Dessa forma, serão consideradas textos que coloquem em diálogo a literatura com outras formas de arte, como o cinema, a TV, a música, a cultura digital (videogames), o teatro etc. de modo que ofereçam leituras diversas sobre as novas poéticas e espacialidades produzidas através das práticas intermidiáticas. Diante dos muitos modelos de comunicação (ELLESTRÖM, 2017) existentes na contemporaneidade, questiona-se: como têm ocorrido as trocas de significados entre as artes? De que forma uma narrativa verbal, como um romance, por exemplo, ganha outros traços comunicativos e incorpora novos dizeres em outra mídia? Ao longo das últimas décadas, autores como Lars Elleström, Irina Rajewsky e Thaïs Flores, para citar alguns, vêm se dedicando na pesquisa da intermidialidade, ampliando o debate em torno dessa prática cultural. Nesse sentido, Rajewsky (2012) busca definir a intermidialidade a partir das relações entre diferentes mídias, entendendo que há um constante cruzamento de fronteiras midiáticas. Elleström (2017), por sua vez, compreende que as mídias correspondem a ferramentas de comunicação, e que a intermidialidade pode ser orientada como um ângulo de pesquisa que destaca as diferenças ou semelhanças que constituem seus significados. Portanto, os diferentes tipos de mídias evocam uma pletora de espaços narrativos, diminuindo as distâncias entre obras, autores e receptores. O contexto das obras intemidiáticas produz paisagens que se abrem para novos significados, o que instaura espaços de movimento, em que o texto literário se renova em outras mídias. Com isso, esperamos contribuir para inscrever este trabalho na discussão desse campo de estudo, demarcando os sentidos poéticos e espaciais que os movimentos intermidiáticos criam na contemporaneidade.

Palavras-chaves: Literatura. Intermidialidade. Poética. Espacialidade.

Previsão para publicação: 90 dias após encerrar a chamada.

Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail bordogrena@editorabordogrena.com contendo no campo "assunto" o tema para o qual o estudo será submetido.

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