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Chamada aberta até o dia 31/10 de 2022

 

Temática/tema: Antropologia, raça e gênero: a lida das mulheres negras nordestinas na constituição de subjetividades plurais

Organizadores:

Pr

Lattes: htt

Resumo:

A coletânea que pretendemos organizar foca em dois conceitos que se articulam em muitos trabalhos de Antropologia: raça e gênero, em especial como proposto por Nilma Lino Gomes (2003), Maria Aparecida Silva Bento (2003), Sueli Carneiro (2005; 2011) e Frantz Fanon (2008), em que raça se configura como uma construção social que se intersecciona com o gênero, promovendo sentidos e significados próprios às constituições subjetivas coletivas das experiências e trajetórias individuais. Gostaríamos de focar na região Nordeste, região esta que passou por uma rápida expansão no campo da Antropologia nas primeiras décadas desse século, com a criação e expansão via processos de interiorização de instituições de ensino superior (IES), como, por exemplo, a inauguração da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab/CE e Unilab/BA), Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Institutos Federais situados na zonas metropolitanas dos estados nordestinos, entre outras iniciativas governamentais no período, deslocando, assim, o eixo geográfico das pesquisas e das/es/os pesquisadoras/es no tema (SANTOS e SILVEIRA, 2000)(SANTOS, 2001)(HOLANDA, 2010)(JUSTINO, 2018). Os capítulos que a comporão não devem se restringir somente à articulação entre as categorias centrais, mas dialogar com elas, tecendo conexões com outras questões, recortes e especificidades geográficas, bem como categorias empíricas e analíticas diversas que ressoem com a proposta apresentada. As mulheres negras, sejam acadêmicas ou não, mães, cis, trans, solteiras, casadas, pessoas com deficiência, gordas, lésbicas, heterossexuais, bissexuais, idosas, jovens, periféricas, faveladas ou não, são o foco de muitos trabalhos acadêmicos que articulam raça e gênero, visando a refletir sobre as mais diversas experiências dessas mulheres brasileiras, sobretudo as que impactam na produção das identidades nordestinas. Assim também, as pesquisas podem focar em outras formas de racialização e genderificação, podendo pensar as mulheres indígenas, quilombolas, ciganas, população LGBTQIA+, etc., e seus processos de subjetivação. Nesse sentido, autoras como Patricia Hill Collins (1990), Zita Nunes (1994), Judith Butler (2003), Suely Kofes (2001), Donna Haraway (2004), Alejandra Pinto (2010), Lila Abu- Lughod (2012), Grada Kilomba (2019) e Paula Balduino (2021) são exemplos de autoras que fornecem chaves de leitura entre o gênero feminino e suas inúmeras possibilidades de atravessamentos enquanto constitutivo de identidades políticas e sociais, por vezes reivindicadas ou problematizadas, a depender das condições materiais e dos significantes em que se expressam. Buscamos, sobretudo, pesquisas e experiências de jovens antropólogas/ues/os do Nordeste, entendendo que a/e/os mesma/e/os devem ter suas pesquisas publicadas e divulgadas amplamente. Trabalhos que dialoguem com antropologia urbana terão preferência, considerando uma percepção antropológica da noção de espaço urbano, como proposto, por exemplo, por Michel Agier (2011), Gilberto Velho (1967), José Magnani (2012), Milton Santos (1978), na qual as zonas, territórios ou manchas urbanas se estabelecem dialeticamente com modos de vida bastante variados entre si, desvelando socialidades urbanas em movimento, por vezes em disputa, não estanques ou emolduradas. Nessa subárea da Antropologia, as pesquisas etnográficas não precisam ser um culto ao objetivismo puro, mas devem trazer subjetividades, anseios e inquietações que atravessam cada pesquisador/a/e e as reverberações e apontamentos que trazem para multiplicar a produção de conhecimento sobre o tema.
Palavras-chave: Raça. Gênero. Interseccionalidade.

Previsão para publicação: 90 dias após encerrar a chamada.

Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail bordogrena@editorabordogrena.com contendo no campo "assunto" o tema para o qual o estudo será submetido.

Consulte as normas de publicação.

Chamada aberta até o dia 31/12 de 2022

 

Temática/tema: Educação Ambiental: O discurso como terreno de disputa

Organizadores:

Pr

Lattes: htt

Resumo:

Refletir sobre a Educação Ambiental hoje é ter em mente o cenário em que tais processos se desenvolvem, sejam nos espaços escolares ou não. Reis (2021) compreende que esse o momento atual pode ser caracterizado por retrocessos à democracia, aos direitos humanos, à justiça social e ao bem estar dos sujeitos, sociedades e ambientes, predominando um sistema que se beneficia à custa da degradação ambiental e da exploração incontrolada e insustentável dos recursos. Nesse entremeio, a Educação Ambiental é colocada como panaceia para os problemas socioambientais, como se sua “aplicação” implicasse a resolução de tais questões. No entanto, esquece-se que esse é um campo que hoje abriga inúmeras vertentes político-ideológicas (LAYRARGUES; LIMA, 2014), que moldam práticas e agenciam processos formativos e formas de subjetivação, sendo atravessadas por discursos diversos: o ambiental, o ecológico, o pedagógico, o político, o econômico, dentre outros. Nesse sentido, a Educação Ambiental passou ao longo dos anos por intensas transformações, desenvolvendo-se teórica e epistemologicamente. Layrargues (2004) afirma que não é mais tão simples dizer que se faz “Educação Ambiental”, e que a pluralidade de nomenclaturas que recebeu aponta para a necessidade de se ressignificar os sentidos identitários e fundamentais dos diferentes posicionamentos político-pedagógicos com que hoje se expressa. Carvalho (2004) aponta sobre a permanente busca por uma palavra-lugar para dizer-habitar esta Educação Ambiental. A diversidade de enunciados sobre a temática ambiental atravessa sujeitos e práticas, constituindo-se então, um campo heterogêneo discursivamente, disputando sentidos, espaços e fronteiras. Em vista do exposto, faz se necessário problematizar enunciados e discursos proferidos no campo da Educação Ambiental, evidenciando mecanismos discursivos, efeitos e funcionamentos, e que conforme aponta Pinheiro (1997), problematizando o que se dá por naturalizado nos processos de formação social, não deixando os fatos falarem por si, mas, que eles são levados a falar, de forma a se compreender os agenciamentos desse campo em sua miríade de práticas e discursos. Assim, essa coletânea busca agregar trabalhos que se voltem as práticas discursivas sobre Educação Ambiental, seja pelos estudos argumentativos como pela análise dos discursos em ambientes escolares ou não, na mídia, no jornal, em todo veículo de disseminação.

Palavras-chave: Educação Ambiental; Práticas discursivas; Argumentação.

Referências:

CARVALHO, I. Educação Ambiental Crítica: nomes e endereçamentos da educação. In: LAYRARGUES, P. (Org.). Identidades da Educação Ambiental brasileira. Brasília: Ministério do
Meio Ambiente, 2004.
LAYRARGUES, P. P.; LIMA, G. F. C. As macrotendências político-pedagógicas da Educação Ambiental brasileira. Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. 17, n. 1, p. 23-40, Jan./Mar. 2014.
PINHEIRO, J. O sujeito da ação política: notas para uma teoria. Lutas sociais, São Paulo, [s.v], n.3, p. 143-163, 1997.

REIS, P. Desafios à Educação em Ciências em tempos conturbados. Ciência e Educação, Bauru, v. 27, 2021.

Previsão para publicação: 90 dias após encerrar a chamada.

Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail bordogrena@editorabordogrena.com contendo no campo "assunto" o tema para o qual o estudo será submetido.

Consulte as normas de publicação.