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Chamada aberta até o dia 30/11 de 2022

 

Temática/tema: Antropologia, raça e gênero: a lida das mulheres negras nordestinas na constituição de subjetividades plurais

Organizadores:

Juliana Silva Chagas  (Doutoranda em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB))

Lattes: http://lattes.cnpq.br/6562463621141731

Ozaias da Silva Rodrigues  (Doutorado em andamento em Doutorado em Antropologia Social. Universidade Federal do Amazonas, UFAM)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/3243829193502788

Resumo:

A coletânea que pretendemos organizar foca em dois conceitos que se articulam em muitos trabalhos de Antropologia: raça e gênero, em especial como proposto por Nilma Lino Gomes (2003), Maria Aparecida Silva Bento (2003), Sueli Carneiro (2005; 2011) e Frantz Fanon (2008), em que raça se configura como uma construção social que se intersecciona com o gênero, promovendo sentidos e significados próprios às constituições subjetivas coletivas das experiências e trajetórias individuais. Gostaríamos de focar na região Nordeste, região esta que passou por uma rápida expansão no campo da Antropologia nas primeiras décadas desse século, com a criação e expansão via processos de interiorização de instituições de ensino superior (IES), como, por exemplo, a inauguração da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab/CE e Unilab/BA), Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Institutos Federais situados na zonas metropolitanas dos estados nordestinos, entre outras iniciativas governamentais no período, deslocando, assim, o eixo geográfico das pesquisas e das/es/os pesquisadoras/es no tema (SANTOS e SILVEIRA, 2000)(SANTOS, 2001)(HOLANDA, 2010)(JUSTINO, 2018). Os capítulos que a comporão não devem se restringir somente à articulação entre as categorias centrais, mas dialogar com elas, tecendo conexões com outras questões, recortes e especificidades geográficas, bem como categorias empíricas e analíticas diversas que ressoem com a proposta apresentada. As mulheres negras, sejam acadêmicas ou não, mães, cis, trans, solteiras, casadas, pessoas com deficiência, gordas, lésbicas, heterossexuais, bissexuais, idosas, jovens, periféricas, faveladas ou não, são o foco de muitos trabalhos acadêmicos que articulam raça e gênero, visando a refletir sobre as mais diversas experiências dessas mulheres brasileiras, sobretudo as que impactam na produção das identidades nordestinas. Assim também, as pesquisas podem focar em outras formas de racialização e genderificação, podendo pensar as mulheres indígenas, quilombolas, ciganas, população LGBTQIA+, etc., e seus processos de subjetivação. Nesse sentido, autoras como Patricia Hill Collins (1990), Zita Nunes (1994), Judith Butler (2003), Suely Kofes (2001), Donna Haraway (2004), Alejandra Pinto (2010), Lila Abu- Lughod (2012), Grada Kilomba (2019) e Paula Balduino (2021) são exemplos de autoras que fornecem chaves de leitura entre o gênero feminino e suas inúmeras possibilidades de atravessamentos enquanto constitutivo de identidades políticas e sociais, por vezes reivindicadas ou problematizadas, a depender das condições materiais e dos significantes em que se expressam. Buscamos, sobretudo, pesquisas e experiências de jovens antropólogas/ues/os do Nordeste, entendendo que a/e/os mesma/e/os devem ter suas pesquisas publicadas e divulgadas amplamente. Trabalhos que dialoguem com antropologia urbana terão preferência, considerando uma percepção antropológica da noção de espaço urbano, como proposto, por exemplo, por Michel Agier (2011), Gilberto Velho (1967), José Magnani (2012), Milton Santos (1978), na qual as zonas, territórios ou manchas urbanas se estabelecem dialeticamente com modos de vida bastante variados entre si, desvelando socialidades urbanas em movimento, por vezes em disputa, não estanques ou emolduradas. Nessa subárea da Antropologia, as pesquisas etnográficas não precisam ser um culto ao objetivismo puro, mas devem trazer subjetividades, anseios e inquietações que atravessam cada pesquisador/a/e e as reverberações e apontamentos que trazem para multiplicar a produção de conhecimento sobre o tema.
Palavras-chave: Raça. Gênero. Interseccionalidade.

Previsão para publicação: 90 dias após encerrar a chamada.

Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail bordogrena@editorabordogrena.com contendo no campo "assunto" o tema para o qual o estudo será submetido.

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